Manifesto ao homem honrado e íntegro

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Querido Dudu,

Olhe ao seu redor, respire fundo, caminhe pela areia de alguma praia do Nordeste que você tanto amava, sinta a água tépida molhar seus pés ternamente. Viu, amigo? Já não há motivo para tanta pressa, preocupação, estresse. Nada disso. Hoje você não vai precisar sair de Catanduva, em plena madrugada, para pegar um avião em São Paulo com destino a Brasília. Não digo que alguém não possa se aproveitar dessa sua súbita ausência para investir contra aquilo que você mais amava, depois de sua família. Mas, e daí? Nem tudo está sob nosso controle, pois, do contrário, não precisaríamos de Deus nem da ajuda dos nossos semelhantes.

E é impossível, meu ilustre presidente, falar em ajuda, colaboração, luta, dedicação, entrega, sem lembrar do seu nome, da sua liderança e da sua capacidade de formar novos líderes, seja pelo exemplo, seja pela delegação de missões que, de tão importantes, nos faziam superar as limitações naturais para atingir o fim colimado e ser dignos de representar os Delegados de Polícia do Brasil.

Quem apenas olhasse para essa cara às vezes amarrada e ouvisse essa voz de barítono resmungando com sotaque paulista jamais conseguiria enxergar a bondade e a dimensão do coração que batia nesse peito de descendente de libaneses. E depois de uma dia de luta no Congresso Nacional, para aprovar projetos de interesse dos Delegados de Polícia ou para simplesmente barrar medidas tendentes ao enfraquecimento ou extinção de nossa carreira, como era gratificante um bate-papo com Dudu e os diretores da Adepol do Brasil e de várias associações estaduais, ocasião em que comemorávamos, entusiasmados, mais uma vitória, já desenhando, sob seu comando, uma estratégia para a batalha do dia seguinte.

Até mesmo para quem aprendeu e tem convicção de que a morte é apenas uma ilusão, apenas uma passagem para um plano mais elevado, não deixa de ser chocante e dolorosa a notícia da repentina despedida de um amigo tão querido, confortando-nos, tão somente, o fato de que um dia estaremos novamente reunidos na eternidade.

A você, meu eterno Presidente Carlos Eduardo Benito Jorge – nosso Dudu – deixo meu preito de gratidão pela luta incansável em defesa da Carreira de Delegado de Polícia e, especialmente, por ter me honrado com sua amizade, confiança e respeito.

Que Deus o receba de braços abertos em sua nova morada e conforte seus familiares e amigos.

Seu amigo de hoje e sempre,

Paulo Márcio Ramos Cruz
Segundo Vice-Presidente Jurídico da Adepol do Brasil