Delegados vão cobrar retratação de Beltrame na Justiça

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Associação de Delegados da Polícia Civil do Rio prepara ação de indenização por danos morais contra o secretário de Segura

Beltrame na audiência pública que discutiu o desencontro nos dados do ISP e do DataSUS: secretário admitiu que troca de informações é precária (Gabriel de Paiva/AG.OGlobo)
A crise instalada entre a Polícia Civil e o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, caminha para a Justiça. A associação dos Delegados de Polícia do Estado do Rio (Adepol-RJ) vai cobrar nos tribunais um pedido formal de desculpas do secretário, que, em entrevista publicada pelo jornal O Globo no último domingo, afirmou que apenas os delegados recém-formados são “sem vícios de guerra e corrupção”. A declaração era referente à criação de unidades da Polícia Civil em favelas com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

O presidente da Adepol-RJ, Wladimir Reale, afirmou que pretende “interpelar judicialmente” o secretário de Segurança. “A princípio, lendo apenas o que foi publicado pela mídia, entendemos que o Secretário de Segurança foi no mínimo leviano. Ele precisa se explicar e pedir desculpas a toda classe policial”, diz Reale.

O secretário anunciou, na matéria do Globo, a inauguração, em 2014, de quatro delegacias em favelas “pacificadas”: Manguinhos, Rocinha, Alemão e Maré. O projeto seria uma extensão da política de segurança e das UPPs.

O presidente da Adepol-RJ informou que está consultando advogados para cobrar indenização por danos morais para a categoria. “O secretário fez uma citação indiscriminada e atacou a moral de todos os delegados de forma injusta”, disse.

Reale também atacou o projeto proposto por Beltrame. “O Secretário de Segurança distorce os fatos ou parece desinformado. A 11ª Delegacia foi projetada para a Rocinha com os mesmos propósitos, em 1988, durante o governo Moreira Franco”, afirmou. Segundo o delegado, a opção por policiais recém-formados é tecnicamente equivocada. “Colocar em áreas complexas um policial recém-formado contraria todos os manuais de boa gestão de recursos humanos. O policial novo, sem orientação de um colega experiente, pode cometer erros graves, com sérias consequências para ele próprio e a comunidade”, afirmou.