CPI do Assassinato de Jovens debate violência policial em audiência interativa

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Tomaz Silva/Agência Brasil

Terezinha Maria de Jesus podia ser apenas mais uma moradora das muitas favelas do Rio de Janeiro. A história é bastante comum. A vida miserável no Piauí a empurrou para a cidade grande, onde tratou de ganhar o pão de cada dia, naquela lida que os pobres bem conhecem. Até que no dia dois de abril deste ano o filho de dez anos, que estava sentado na porta da casa no Complexo do Alemão, foi morto enquanto brincava com o celular. Isso durante uma operação policial na comunidade. Terezinha vai ser ouvida na CPI do Assassinato de Jovens nesta segunda-feira (24), a partir de 19h30.

Neste mesmo dia a comissão parlamentar de inquérito recebe a assessora de Direitos Humanos da Anistia Internacional, Renata Neder Farina de Souza. A instituição fez uma pesquisa na Favela de Acari, também no Rio de Janeiro sobre violência policial. O relatório ‘Você Matou Meu Filho — Homicídios Cometidos Pela Polícia Militar na Cidade do Rio de Janeiro’ mostra que no município o número de mortes em confrontos com policiais passou de 416, em 2013, para 580 em 2014.

Também foram convidadas para a audiência pública Débora Maria da Silva e Vera Lúcia Gonzaga dos Santos, que fazem parte do Grupo Mães de Maio. A filha de Vera, Ana Paula Gonzaga dos Santos, que estava grávida, foi uma das vítimas da onda de violência que tomou conta de São Paulo em 2006, após uma série de atentados patrocinada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). A pesquisadora do Instituto Igarapé, Renata Avelar Gianinni, também vai participar da audiência pública.

A CPI tem como presidente a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) e como relator o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). O prazo para funcionamento da Comissão Parlamentar de Inquérito, que tem 11 senadores titulares e sete suplentes, vai até o dia 3 de novembro.

O cidadão está convidado a participar das discussões.  As perguntas ou comentários podem ser enviadas por meio do Portal e-Cidadania, no endereço www.senado.leg.br/ecidadania, e do Alô Senado, pelo número 0800 61 22 11.

Fonte: Agência Senado